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Ser 60+

A velhice é uma coisa que te acontece de surpresa. Demorou 85 anos para chegar. Fiquei irremediavelmente velho.
(Ziraldo, Folha de São Paulo, 7/11/2017)

Aos que ainda não chegaram aos 50, que leram um dos mais famosos livros de Ziraldo, O Menino Maluquinho, aos 8, 9, 10 anos, a frase do autor pode surpreender. Realmente, para os nascidos na década de 70 – ou depois dela –, quem tem mais de 60 anos é uma pessoa idosa, quase improdutiva, que muitas vezes se beneficia de uma vaga marcada indevidamente por uma bengala, que já fez tudo o que devia ter feito na vida e agora deve ficar quietinha em seu canto, usufruindo as benesses da aposentadoria.

Ledo engano! Quem já chegou aos 60 ou já passou desta idade no 3º milênio têm muito ainda a produzir e a aproveitar! Ziraldo não é exceção por ter completado oito décadas em plena atividade. Há outras pessoas surpreendendo com seu trabalho, fazendo projetos, participando de competições… não só no Brasil, mas pelo mundo afora. Nomes como os dos artistas Fernanda Montenegro (88 anos), Laura Cardoso (90), Lima Duarte (87), dos escritores Luís Fernando Veríssimo (81 anos) e Claire Feliz Regina (89 anos) , do maratonista indiano Fauja Singh (100 anos) são exemplos de pessoas que vivem plenamente sua profissão, dando o melhor de si para se superar.

Pode-se argumentar que são pessoas privilegiadas, que tiveram excelentes condições de vida, que a maioria da população brasileira não tem acesso sequer à educação e à saúde. De fato, essa é, infelizmente, a realidade do Brasil. Mas também não podemos negar que há milhares de 60+ que vivem plenamente a maturidade, continuam exercendo sua profissão – mesmo aposentadas –, participam de atividades de voluntariado, leem, viajam, fazem e ministram cursos, cuidam de seus familiares – pais, filhos, irmãos mais velhos, netos – e não têm seu valor divulgado, não são ouvidas, continuam no anonimato, parecem não existir por já terem passado de uma certa idade.

Foi pensando nessas pessoas anônimas que surgiu o Amo Minha Idade e, a partir dele, o Hype60+.

Após um ano de muita aprendizagem no AMO – escrevendo, ouvindo, interagindo –, observamos que o público sênior no Brasil precisa ser mais bem conhecido, ser entendido e valorizado. É necessário dar voz a eles. Somente assim conseguiremos melhorar os produtos e os serviços e também o marketing que esse novo e imenso grupo de pessoas demanda. Precisamos conhecer melhor os 60+, a sua linguagem, os seus desejos, valorizar a sua imagem.

Cada vez vai ficando mais longe o tempo em que vovô cochilava na cadeira de balanço enquanto a vovó fazia tricô ou crochê. Não há mais lugar para esses estereótipos. É necessário que os que ainda não chegaram aos 50 saibam que brevemente serão 60+, que eles precisam se esforçar hoje para que não só eles, mas todos no Brasil tenham uma velhice mais segura, mais digna, com direito ao que a vida pode lhes proporcionar de melhor.

O Hype60+ é formado por uma equipe de profissionais de marketing apaixonados pelo mercado da longevidade. Que sabe que sempre há algo a aprender. Não se trata de apenas uma consultoria. Seu objetivo é dar voz, vez e valor aos 60+. É ajudar a colocar no mercado melhores produtos, serviços e experiências para aqueles que ainda têm muito a contribuir, a usufruir e a consumir, para que eles possam viver cada vez mais com melhor qualidade de vida, para que possam, realmente, ter uma feliz idade.

Texto da querida Edna Barian <3

[1] Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/11/1933333-a-velhice-e-uma-coisa-que-acontece-assim-de-surpresa-diz-ziraldo-aos-85.shtml

[2] Disponível em: http://blogs.oglobo.globo.com/pulso/post/indiano-de-100-anos-o-maratonista-mais-velho-do-mundo-411653.html

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