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A vida é incrível… até no final

Por Anselmo Lindolfo.
Hoje tive uma experiência incrível, inédita e surpreendente em minha vida. Entrei no túnel do tempo.
Por um imprevisto tive que vir para a casa da minha mãe para dar almoço para ela. Minha primeira vez. Ela tem uma cuidadora, mas a cuidadora se machucou e teve que sair.
Minha mãe está acamada por problemas iniciados na psique após o falecimento do meu pai. Meu pai nos deixou faz uns 6 meses e acho que minha mãe não aceitou bem o luto. Ele fazia tudo por ela. Era o braço, perna e cabeça dela.
Com sua – do meu pai – partida, ela se tornou agressiva num primeiro momento e em seguida entrou – parece – numa depressão profunda e aí que ficou acamada.
Mas voltando ao túnel do tempo, hoje tive que dar almoço para ela e – lembrei? – pensei em quando eu era criança.
Pensei/lembrei da paciência que ela devia ter comigo e com meu irmão e minha irmã.
Como ela está comendo igual a uma criancinha mesmo, aprendi que não é fácil saber a quantidade que se pode dar em cada garfada, a quantidade total que ela está afim de comer, já que não está falando. Não é fácil ter a paciência merecida. Mas ao imaginar, pensar como teria sido comigo, ajudou :)
Pensei também na palavra sorte, apesar da situação. Sim sorte. Acho sorte poder viajar no tempo e poder pensar como ela cuidava de mim e dos meus irmãos, sorte poder entender o tempo, sorte poder me doar um pouquinho para ela, assim como foi com meu pai também.
Você aprende e vive o significado da palavra amor. Amor que eles – minha mãe e meu pai – nos dedicaram por todos estes anos.
Lembrei que ela sempre dizia que eu ia entender o que era ser pai quando tivesse meus filhos, e hoje tenho na verdade duas filhas. Aprendi.
Mas aprendi mais ainda o que é ser pai e mãe cuidando um pouquinho deles. O quanto tempo, paciência, carinho, atenção, doação eles me dedicaram quando eu era criança e aos meus irmãos também.
A vida é realmente frágil, curta, linda e cheia de significados e aprendizados constantes.
Deus existe, é nosso mestre e guia e nos prova isso a todo instante, até em momentos como esse.
Ele queria – por algum motivo ainda desconhecido – que eu aprendesse isso. Pra que? Para aprender e saber valorizar a vida, o outro, o próximo; e principalmente os idosos.
Veja como é incrível. Mesmo sem proferir uma única palavra, minha mãe me deu, hoje, um novo aprendizado, talvez, se não o mais importante, um dos mais importantes da minha vida. Gratidão mãe.

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Bete Marin

Eu me identifico com a cultura japonesa, onde os idosos são respeitados, reverenciados e glorificados. Pessoas experientes, com muitos anos de vida, me fascinam desde criança, razão pela qual iniciei essa comunidade. Decidi utilizar a minha experiência, a minha paixão e juntar talentos para gerar informação, conteúdo e revolucionar a...

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