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Paixão pelo trabalho

Dobrei a casa dos 66. Trabalho desde os 14. Lá se vão 50 e tantos anos de atividades. Ou seja, não me lembro de como é a vida sem trabalhar. Trabalhar? Parece que estou sempre me divertindo. Durante a semana começo a ministrar aulas entre 8h30 e 9h00, dependendo do tipo de curso programado, e saio da minha escola às 23h00. Vou para casa e curto um jantar em família até meia-noite. Brinco com o gatinho. E me ponho na frente do computador para escrever artigos e livros. Paro por volta das 2h30 ou 3h00. Não foram poucas as vezes em que fui direto para a sala de aula sem dormir. Como não atraso meus compromissos com os editores, se prometi escrever, não falho. Já são 29 livros publicados e mais ou menos 1.500 artigos.

Além disso, preciso de um tempinho para continuar com minhas pesquisas para novas produções. Para isso tenho os finais de semana. Na verdade, o domingo, pois no sábado também dou aula, já que temos nesse dia o maior grupo de alunos. No período da tarde dou aulas nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão Corporativa e Relações públicas há mais de 15 anos, junto com minha mulher e minha filha.  Só fico triste porque geralmente não tenho tempo para leituras de lazer. Tanto que nas férias tiro o atraso, leio vários livros nas viagens.

Com certeza ser apaixonado pelo que faço é o segredo de poder trabalhar tantas horas com a mesma energia que me motivava quando tinha apenas 24 anos e iniciava minha vida como professor de oratória. Fui aluno do professor Oswaldo Melantonio, que ao perceber o brilho nos meus olhos me convidou para ser seu assistente. Ali me tornei professor por sete anos. Esse mestre me fez um dos elogios mais importantes que já recebi. Ao paraninfar uma turma do nosso curso, interrompeu o discurso que fazia para dizer: “trago um recado da Dona Margot, que sempre cuidou da secretaria e das finanças da nossa escola. Pediu para informar aos alunos do Polito que nos sete anos em que atuou como professor no nosso curso jamais aceitou um tostão como pagamento. Dedicava-se ao ensino apenas por amor à oratória”.

Sempre me perguntam: e quais são seus planos? A resposta não muda. Cuidar da minha biblioteca especializada em livros antigos de oratória e ter saúde para continuar fazendo o que faço até os últimos dias da minha vida. Agora escrevo os livros em coautoria com a minha filha Rachel. Já publicamos juntos as obras “29 minutos para falar bem em público” e “Oratória para líderes religiosos”. Outras virão. Afinal, a vida começa aos…66.

 

Reinaldo Polito

Reinaldo Polito é mestre em Ciências da Comunicação, presidente da Academia Paulista de Educação, professor de oratória nos cursos que ministra em seu instituto e nos de pós-graduação da ECA-USP, palestrante e escritor. Com quase 1,5 milhão de livros vendidos, tem várias obras traduzidas para outros idiomas. É...