rosa

Os cuidados com o idoso

O idoso tem direito a moradia digna, no seio da família natural ou substituta, ou desacompanhado de seus familiares, quando assim o desejar, ou, ainda, em instituição pública ou privada.

 (Estatuto do Idoso, artigo 37 – Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/2003/L10.741.htm).

Com grande parte das mulheres trabalhando fora de casa, muitas vezes em período integral, torna-se cada vez mais difícil cuidar dos idosos quando eles perdem a capacidade de cuidar de si mesmos. Sim, porque essa tarefa – ainda que haja exceções – em quase 100% dos casos é de responsabilidade das mulheres.

Consideremos, ainda, o fato de que os idosos que já não conseguem ser independentes estão geralmente na faixa dos 85/90/100 anos e seus filhos, na maioria, já chegaram eles mesmos à terceira idade – têm 60 anos ou mais. Ou seja, estamos nos deparando com uma realidade em que os idosos precisam cuidar de seus pais bem mais idosos, quando não também de seus cônjuges que apresentam sinais de senilidade.

Muitas pessoas contratam cuidadores para que o idoso permaneça na própria casa. Nesse caso, alguns cuidados devem ser tomados não só em relação aos profissionais contratados, mas também ao espaço em que o idoso habita. Uma boa leitura, nesse sentido, é o texto “Cuidar dos pais não significa inverter papéis, mas zelar por eles”, disponível em: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2014/07/29/cuidar-dos-pais-nao-significa-inverter-papeis-mas-zelar-por-eles.htm

Na impossibilidade de manter o idoso em sua própria casa – ou na casa de um de seus dependentes – muitas pessoas recorrem a instituições públicas ou privadas como as LPIs – Instituições de Longa Permanência (casa de repouso), indicado para idosos que precisam de cuidados mais complexos, pois apresentam um alto grau de dependência.

Uma alternativa são as instituições onde o idoso permanece durante o dia somente, os chamados centros-dia, voltados para idosos semi-independentes. Lá eles recebem estímulos para resgatar ou aprender novas habilidades através de atividades físicas e mentais.

Outra opção, voltadas para idosos independentes são os centros de convivência, com uma série de atividades que podem ser escolhidas para o próprio idoso, que ele pode frequentar em alguns períodos do seu dia.

O ideal seria que o idoso, de posse ainda de seu poder de decisão, optasse por um espaço que ele escolheu após longas conversas com a família, levando em conta o modelo e as características e objetivos de cada instituição.

Na balança vão pesar as características do ambiente, os serviços oferecidos, o valor a ser pago, a localização, a proximidade dos familiares, as pessoas que ali estão, a empatia com os prestadores de cuidados[1].

Precisamos refletir sobre o que nos espera daqui a alguns anos, em que local gostaríamos de viver quando não mais pudermos agir com total independência. E iniciar uma discussão com nossos filhos para que a decisão de onde vamos ficar não seja tomada quando a situação estiver no auge da complicação.

Por que não começarmos a conhecer os diferentes ambientes, visitando-os ainda agora, quando estamos com todas as condições de avaliá-los objetivamente, para perceber o que têm em comum e no que diferem entre si?

Sugerimos a leitura do texto “ A geração sanduíche”, de Adriana Walckiers Pierro (disponível em: http://mundoprateado.com/a-geracao-sanduiche/), que, além de uma reflexão sobre o tema, traz uma série de sites para aprofundamento da questão.

Boa leitura!

[1] A Anvisa adotou o nome Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), com a seguinte definição e objetivos: “ILPIs são instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinadas a domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania.”

Para um maior conhecimento sobre as ILPIs, recomendamos a leitura de dois artigos, resultantes de pesquisas realizadas por docentes de universidades, na expectativa de que eles possam lançar um pouco mais de luz sobre este tema tão próximo, mas ao mesmo tempo tão ignorado por (quase) todos nós.

As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-30982010000100014.

As autoras Ana Amélia Camarano e Solange Kanso realizaram uma pesquisa abrangente entre 2007 e 2009, envolvendo todo o Brasil (regiões Norte, Centro Oeste, Sul, Nordeste e Sudeste), num total de 3.295 instituições, mostrando como funcionam e de onde vêm os recursos para mantê-las.

Instituições de longa permanência para idosos: um estudo sobre a necessidade de vagas. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-30982014000100012

A autora, Mirela Castro Santos Camargos, faz um estudo sobre a relação de cuidadores/idosos, mostrando como é essa relação hoje e como será em 2050, alertando para quão necessária se faz a instalação de instituições voltadas para os idosos.

 

Edna Perrotti

Edna Perrotti é doutora em Linguística Aplicada pela PUC/SP, onde foi professora de Língua Portuguesa e de Redação. Também trabalhou durante mais de 20 anos na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), nos cursos de graduação e pós-graduação. É membro honorário da Academia Paulista de Educação e diretora da...

Outras publicações do autor