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Da caneta de pena ao pen drive… E agora nas nuvens!

Quem hoje está com mais de 65 anos presenciou, felizmente, incontáveis transformações que vieram beneficiar a vida das pessoas e da sociedade em geral.

Toda criança que estava sendo alfabetizada na década de 50 sonhava com o dia em que deixaria de usar apenas o lápis e a borracha, fato que normalmente ocorria no segundo ano do antigo curso primário, para escrever com uma caneta-tinteiro, munida de um recipiente para a tinta e uma pena.

Ter uma caneta-tinteiro fazia parte do desejo de consumo de muitas crianças. A mais sofisticada era a Parker 51, mas ganhar uma Parker 21 já estava de bom tamanho. Até mesmo porque havia a necessidade de aprender a manuseá-la, assim como aprender a enchê-la de tinta e a usar o mata-borrão, quando necessário, para que os textos ficassem impecáveis.

De tal forma a escolaridade estava ligada a essas canetas, que as carteiras tinham um local reservado para o tinteiro, sempre acompanhado de um paninho para limpar as gotas que dele caíam. Ah, também não podia faltar o pequeno vidrinho de água sanitária e um palito com algodão na ponta para apagar os possíveis erros.

De vez em quando alguém não fechava o tinteiro devidamente e ocorria um verdadeiro desastre: cadernos e livros (todos encapados com capricho) manchados de tinta azul, ou preta, para sempre. E o senso de culpa por ser um(a) aluno(a) desleixado(a)!

Mas eis que surge a década de 60 e com ela um objeto que hoje está presente aos milhões na vida dos brasileiros: a famosa caneta BIC, nome devido ao barão Marcel Bich, que adquiriu, em 1950, os direitos do invento para fabricá-la e comercializá-la no mundo inteiro. (Na verdade, a caneta esferográfica foi inventada por Laszlo Biro, em 1938 – por isso, no início era conhecida por birome. Mas ele aceitou, em meados da década de 40, a proposta de 2 milhões de dólares da empresa americana Eversharp para ter seus direitos de comercialização nos Estados Unidos.)

E com as bics (porque ninguém nunca teve uma só!) no bolso, na bolsa, nos estojos (quem se lembra deles?), nos escritórios, nas gavetas, perdidas sobre um móvel ou um balcão, atravessamos várias décadas, escrevendo redações escolares, rascunhando documentos antes de datilografá-los, preenchendo cheques, fazendo anotações, desenhando enquanto falamos ao telefone…

Ainda hoje as bics – que viraram substantivo comum, e cujo nome serve para todas as esferográficas, mesmo que possam ser de outra marca – estão presentes no nosso dia a dia, acompanhando o uso dos smartphones, dos PCs, dos laptops, esses aparelhos que revolucionaram nossas vidas para sempre e que, por sua vez, exigem uma espécie de alfabetização para que nós, os da terceira idade, possamos manuseá-los a contento (as crianças pulam facilmente essa etapa de aprendizagem).

Como se trata de uma tecnologia sem volta, não temos escolha: ou usamos ou usamos. Caso contrário, ficaremos marginalizados para sempre. Porque a informática está presente em absolutamente tudo em nossas vidas: desde o saque do dinheiro no caixa eletrônico até a marcação e a visualização dos exames médicos de rotina. E pode contribuir – e muito – para manter informados e atualizados os que chegaram à terceira idade.

Munidos de um desses aparelhos, podemos viajar (ainda que confortavelmente sentados em nossas casas) pelo mundo inteiro, conhecer novas pessoas, interagir, aprender novas línguas, ler os mais diferentes assuntos e ainda guardá-los por um tempo indefinido.

Assim que chegaram os computadores, havia o disquete, depois o CD-ROM, logo seguidos de um pequenino objeto menor que o dedo polegar: o pen drive. De incrível memória, o pen drive permite armazenar nossas pesquisas, nossas fotos de viagem, os slides que preparamos para uma determinada apresentação… Isso para quem ainda não chegou à nuvem!

Sim, tudo anda tão rápido, que daqui a pouco o pen-drive também será jurássico. A nuvem, como o dropbox, e outros monstrinhos mais já começam a ocupar o seu lugar para armazenar tudo o que julgamos importante.

Por isso, não podemos nos acomodar nem nos intimidar. Temos de usufruir desses avanços sem medo, acompanhando suas evoluções, ainda que com alguma dificuldade. E aprender a lidar com eles. O site http://www.timtimportimtim.org, voltado para a terceira idade, pode dar uma boa ajuda nesse sentido.

 

 

Edna Perrotti

Edna Perrotti é doutora em Linguística Aplicada pela PUC/SP, onde foi professora de Língua Portuguesa e de Redação. Também trabalhou durante mais de 20 anos na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), nos cursos de graduação e pós-graduação. É membro honorário da Academia Paulista de Educação e diretora da...

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